sábado, setembro 14, 2013

* 05/V - A OUTRA FACE

 
 
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Imagem da Internet 
 

 

 

- Nathalie, tenho uma novidade para te contar.

Nesse instante, em silêncio, a jovem fecha os olhos.

- Oiiii!... Acorda! Em que está pensando, não me ouviu?

- Nada, é que... Perdoa-me. Distraí-me por um segundo.

- Quero abandonar as aulas na Faculdade e tentar viver exclusivamente para a pintura.

- Ah, é!

- Isso mesmo.

- Só mais outra coisinha, Morana. Posso perguntar?

- Sim, pode.

- Sentia prazer com o seu marido?

- Curiosa, hein?

- Responda se quiser.

- Imagina. Enquanto namorávamos era melhor.

- Mesmo?

- Prazer de enlouquecer, isso não. Mas posso dizer que nunca senti com homem nenhum.

- Nunca?

- Nunca, Nathalie. Cedo descobri que eles só pensam neles, tudo como se tivessem o cérebro no meio das pernas para usar como esporte. Ou fazer sexo no estilo filme pornô.

- Ã-Hã.

- Escassos de calor humano, mal entendem o nosso tempo. Ora, Nathalie, precisamos de clima, preliminares bem feitas, para ficarmos “a ponto de bala”, não é assim?

- Certo.

- Enfim, mais do que eles, dependemos muito do estado emocional e outros fatores importantes para a coisa acontecer numa boa. 

- Por exemplo?

- Parceiro embriagado que esquece até de tirar as meias durante a transa é bem desanimador. Mais ainda ficar com um cara sem cuidados com a própria higiene. Dá nojo, nada mais broxante. Como também é irritante fazer sexo com um homem que vai direto para os finalmentes. Pelo que escuto, esses não despertam interesse, principalmente, das solteiras.

- Cambada de jacus!

Risos. Depois de uma pequena pausa, Nathalie continua:

- Nem com o casado?

- O quê?

- Você se enlouquece?

- Quando ele faz oral, ouço um sininho batendo.

- Então gosta?

- Prefiro.

- Hummmmmm!

- Quando estou com ele, meu lado safadinho vem à tona. É verdade.

- Isso aí, amiga. O fato é que nós mulheres não estamos tão preocupadas assim com os homens. Basta dizer que tudo que fazemos, em termos de beleza e vaidade, é para chamar atenção das outras.

- Heim!

- Isso mesmo. Não vai nisso nenhuma preferência, embora ache que todas nós sejamos bissexuais em potencial.

- Não acredito nisso, Nathalie.

- Até por conta da curiosidade e da dificuldade de se relacionar com parte significativa dos homens de hoje, acontece. O lance é que somos bem mais discretas e não saímos por aí demonstrando nada.

- Nunca pensei nisso.

- Não?

 - Não.

- Eu, por exemplo, movida por uma aura libertária, eu já namorei garotos e garotas.

- Loucura!

- A vida, Morana, sem um pouco de loucura não tem tanta graça.

- Talvez.

- Acho as meninas mais divertidas do que os meninos que, em matéria de sensibilidade, são analfabetos.

- Fala sério?

- E com um detalhe importante: os dedos e a língua das mulheres não encolhem no frio, não falham. Por isso mesmo faço ode às mulheres, não posso ver um rabo de saia que vou logo dando em cima. Sou um pouco atrevida – brinca Natalie.

Risos. Nathalie:

- Como qualquer estudante de ensino médio, que se vê às voltas com várias descobertas, a maioria das garotas já tiveram alguma experiência com a homossexualidade. Não fugi à regra.

- Hein?

- Portanto, prefiro aquilo que faz meu coração vibrar, apesar de todas as consequências que nossa sociedade ainda alimenta.

- Ã-Hã!

- Duas mulheres fazendo amor aumenta a feminilidade. O mesmo não ocorre entre dois homens, quando um deles abre mão da masculinidade.

- Acho que não gostaria de ver dois homens na cama?

- Eu tenho certeza. Bem, até nisso somos superiores.

- Talvez.

- Um dia revelei isso a um carinha que vivia me cantando. Ele achou interessante e me disse que é uma coisa bem atraente o amor rolando entre duas mulheres.

- Sério?

- Sério. Quer saber o que mais ele disse?

- Pode contar.

- Falou que duas belas mulheres numa cama duplica a própria feminilidade. Não há cena mais linda para um homem assistir.

- Pode ser.

- Para ele, só é de mau gosto quando uma delas usa bigode. Aí completou: agora imagina dois homens barbados, um dizendo para outro: me chama de Odete, Norma!

- Curuis credo!

Risos. Nathalie:

- O lesbianismo, querida, aguça algo inseparável da mulher: a sensualidade. Enquanto que o homossexualismo masculino, simplesmente, acaba com algo que deveria ser inerente ao homem: a masculinidade.

- Por aí.

- Ele me indicou o filme Noite Vazia, com Norma Bengel e Odete Lara. Acho que o nome é esse mesmo, conhece?

- Já ouvi falar. Não assisti, mas sei que Norma ficou famosa por protagonizar o primeiro nu frontal do cinema brasileiro. Ela estrelou o longa Os Cafajeste, filmado nos anos 1960.

- Fiquei curiosa, vou pegar o DVD numa locadora – admite Nathalie.

- Boa sessão para você.

- Deve ser recheado de cenas interessantes.

- Show de bola!

- Nós mulheres constituímos a metade mais bela de tudo que é belo no universo. As que sabem disso tiram vantagens. Salve Norma!

- Por ai.

Pausa. Natalie:

- Pronto. Pronto. Morana, não pergunto mais nada sobre sua intimidade sexual, juro.

- Não precisa jurar. Adorei ouvir você.

- Ainda bem.

- Então, qual a receita para viver um grande romance?

- Não conheço. Hoje, no alto dos meus 40 anos, penso que é bom que o amor não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Partilhar a vida com alguém que valha a pena é o que vale a pena.

- Lindo!

- Sou uma romântica incorrigível. Adoro dar e receber presentes, flores principalmente. E ainda sonho com uma relação tradicional, amor à moda antiga, com direito a olho no olho, mão na mão e corpos colados sem nenhum ‘grilo’ para intermediar e azedar a paixão.

Nathalie contempla a amiga com uma espécie de admiração:

- Concordo com tudo.

- Um detalhe. Sempre que possível, trocar uma paixão problemática por uma paixão nova. Essa faxina faz muito bem à alma e ao corpo – explica a pintora.

- Plenamente...

- O amor, Nathalie, é a essência da existência. Disso não há como duvidar.
 


 
 * FBN© 2013 * A OUTRA FACE – Capítulo V - Categoria: Romance -  Autor: Welington Almeida Pinto - Texto original em português, traduzido pela Google - Ilust.: Imagens Internet  – Link: http://lesbias.blogspot.com.br/2006/12/v.html?zx=53353d35f730382
 
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